Africana Rachel Mwanza ganha urso de prata de melhor atriz

19-02-2012 10:00

 

Festival Internacional de Cinema de Berlim

Africana Rachel Mwanza ganha urso de prata de melhor atriz

Jovem Rachel Mwanza é a primeira atriz africana premiada pelo Festival de Cinema de Berlim. Ela veste o papel de uma menina soldado, no filme "Rebelde", do canadiano Kim Nguyen. Abandonada pelos pais, vivia na rua.

Expresso

 

O júri do Festival de Cinema de Berlim premiou como melhor atriz a jovem africana do filme "Rebelde", de 15 anos, que foi rejeitada pela mãe e pelo pai, e viveu na rua até ser acolhida por uma organização humanitária, altura em que aprendeu a ler e escrever.

A atriz Rachel Mwanza nasceu na República Democrática do Congo e faz o papel de uma menina soldado, de 12 anos, sequestrada por rebeldes e obrigada a lutar com eles. Os seus dois primeiros assassínios, no filme, são os dos seus próprios pais.

A menina sobrevive entre os rebeldes, porque estes a julgam uma feiticeira, até fugir com outro soldado, que também fora sequestrado, que acaba por ser morto pelos rebeldes.

Paralelo com a vida da atriz 


Kim Nguyen, realizador do filme, disse em Berlim que Rachel teve uma vida tão difícil como a da personagem do filme. "Ela cresceu na rua, mas hoje conta com a ajuda de diversas pessoas e frequenta a escola." 

"Com o dinheiro do filme, procurámos também ajudar Rachel mas não fácil, visto o seu contexto familiar", afirmou Nguyen.

É a própria Rachel quem conta que, quando era pequena, a mãe e o pai abandonaram o alr e ela ficou sozinha com a avó e os seus irmãos, duas raparigas e quatro rapazes. Mas, a dada altura, a avó ficou desempregada, vivendo da venda de pequenas coisas na rua, o que não era sufciente para sustentar todos.

"Foi uma época muito difícil para nós. Um dia, a minha avó disse a um dos meus irmãos que devíamos sair de 

casa. 'Os grandes precisam partir e eu guardo só os pequenos', disse. Vivíamos sem condições, a minha avó não suportava mais a situação e eu parti", explicou a jovem em Berlim.

"Tive, então de arranjar comida na rua, sobreviver sozinha. Comecei a vender nozes, avelãs e frutas secas e com isso tinha um pouquinho de dinheiro. Enfim, consegui um teto, mas as condições eram difíceis e hostis", especificou.

Rachel foi viver com uma amiga mais velha e, em troca, ajudava-a na lida da casa. Foi um dos meus irmãos, chamado Che Guevara, quem lhe proprocionou o futuro. "Ele conhecia um branco, de nome Macaré, que fazia castings para filmes, e foi assim que fui selecionada para um documentário."

Rachel ganhei 600 dólares (cerca de 456 euros) com a sua participação no documentário, e resolveu dá-los à avó para que esta gerisse as despesas que as suas idas à escola comportariam, mas a avó "ficou como o dinheiro para ela".

"Então, decidi regressar ao centro de acolhimeto onde estivera. Aí, apareceu de novo o europeu Macaré, dizendo que era preciso refazer algumas cenas no documentário... Foi uma espécie de milagre, se assim posso dizer...", disse Rachel, acrescentando: "Quero agradecer a todos aqueles que me ajudaram a participar neste projeto, agora são eles a minha família".