Marcha contra genocídio do povo negro reúne milhares em São Paulo e em todo o Brasil

23-08-2014 21:19

Ato foi programado para ocorrer em 18 estados brasileiros e em 15 países

Fontes: Ag.Brasil/Blog da Marcha, Campina Grande

Fotos: Fernando Donizete Donizete (Nando LHP)

São Paulo - Cerca de 2 mil pessoas, segundo os organizadores, participaram da 2ª Marcha Internacional contra o Genocídio do Povo Negro na capital paulista, e 1 mil, segundo estimativa da Polícia Militar (PM). Concentrando-se no vão do MASP - Museu de Arte de São Paulo, no iníciio da noite de sexta-feira, 22, os manifestantes seguiram em passeata pela Avenida Paulista seguindo pela Rua da  Consolação até o Theatro Municipal, no centro da cidade. O evento foiprogramado para ocorrer em 18 estados brasileiros e em 15 países Américas, Europa e África. A marcha faz parte da campanha “Reaja ou será Morta, Reaja ou Será Morto” ebusca chamar a atenção para a luta contra o racismo e os altos índices de violência e morte contra a população negra. O objetivo da mobilização é ampliar o debate em torno da unidade, autonomia, protagonismo e solidariedade contra o genocídio, o racismo e o extermínio do povo negro, enfrentando os resultados de quase 400 anos de trabalho escravo e 126 anos de racismo institucional e social, que tem como herança uma sociedade extremamente desigual, preconceituosa, racista e injusta.  

 “A morte negra hoje, no Brasil, já atingiu números de uma guerra civil. A cada 25 minutos morre um negro neste país”, enfatizou a coordenadora nacional do Movimento Quilombo, Raça e Classe, Tamires Rizzo.

Segundo o Mapa da Violência 2014, a vitimização de negros é bem maior que a de brancos. Morreram, proporcionalmente, 146,5% mais negros do que brancos no Brasil, em 2012, em situações como homicídios, acidentes de trânsito ou suicídio. Entre 2002 e 2012, essa vitimização mais que duplicou, segundo o estudo elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Secretaria Nacional de Juventude e da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Além de protestar contra a violência, o ato também pediu melhores condições de vida para os pretos e pardos brasileiros. “Na nossa opinião, os fatores que geram o genocídio são a miséria e a falta de condições de vida”, ressaltou Tamires. O acesso à educação é, segundo ela, um exemplo claro disso. “Só 18% dos negros chegam às universidades. Isso faz com que a juventude negra não tenha perspectiva de futuro”, disse, ao defender a adoção de uma política de cotas raciais pelas universidades.

Cantor de rap e estudante de geografia, Tiago Onidaru disse que vê de perto as consequências da violência. “A gente perde vários irmãos na comunidade. Se não é um amigo nosso, é amigo de um amigo”, contou o jovem de 27 anos, que também reclamou da representação do negro nos meios de comunicação. “É uma ausência de representação", disse ele, "e quando tem é para ridicularizar”.

Numa manifestação pacífica, os organizadores chamavama atenção para evitar qualqueqr tipo de provocação, pois o foco era a luta contra o racismo e a violência contra o povo negro. Representantes de vários movimentos, coletivos, grupos, sindicatos, estiveram presentes com  faixas exigindo o fim do genocídio do povo negr.Animados por grupos de Maracatu e tambores, o cortejo seguiu pacífico. Houve uma tentativa de jovens que queriam tumultuar colocando capuz preto, mas que logo foram identificados pelos manifestantes que não permitiram este tipo de descaractereização do movimento .

PARAÍBA - Em Campina Grande, o prefeito Romeiro Rodrigues, recebeu representantes da II Marcha, quilombolas, grupos de cabopeira, Movimento Negro e Cultos Afrobrasileiros, que na ocasião, entregaram um documento elaborado durante quatro meses com propostas para implantação de políticas públicas afirmativas em favor do combate à discriminação racial.

BRASÍLIA - Com cartazes e cruzes brancas nas mãos, os manifestantes percorreu as ruas que cortam a rodoviária de Brasília, um dos lugares mais movimentados da cidade, de onde saem ônibus para as demais regiões administrativas do DF e cidades do entorno. “O objetivo da marcha é dar visibilidade à questão. Quem está marchando aqui são as pessoas da periferia, dos assentamentos. Queremos dar vez para aqueles que estão à margem, que não falam”, disse uma das organizadoras da marcha, Layla Marisandra, do Fórum da Juventude Negra.

SALVADOR/BAHIA - Cerca de 5 mil pessoas compareceram à Marcha, percorrendo as ruas de Salvador,segundo a organização da marcha. Os eventos nacionais repercutiram fora do país, como na Espanha

II MARCHA (INTER)NACIONAL CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO

A Luta Transnacional Contra o Racismo, a Diáspora Negra Contra o Genocídio

A Campanha Reaja ou será Morta, Reaja ou Será Morto, diante da conjuntura de brutalidade, violência, superencarceramento e morte da população negra; diante do confinamento de comunidades inteiras em campos de concentração batizados de UPPs ou Bases de Segurança; diante das remoções forçadas de famílias inteiras para o benefício do capitalismo cujos defensores são os maiores investidores nos chamados jogos internacionais (Copa e Olimpíadas); diante do Estado de exceção constituído por leis que suprimem a própria lei garantindo execuções sumárias e extrajudiciais, prisões sem fundamentos e a barbárie generalizada no espaço urbano militarizado e perigoso para nossas vidas desprotegidas de iniciativas legais, ou submetidas a iniciativas legais de nosso abate; diante de instituições que deveriam garantir a efetivação de direitos que se calam e ajoelham frente aos nossos algoze diante da nossa eliminação;. Diante da nossa execração quando mulheres são arrastadas por carros, jovens são amarrados em postes e linchados, suspeitos baleados agonizam em frente a policiais, comunidades inteiras submetidas a uma politica de controle, como se isso não bastasse para comprovar que estamos em uma guerra de genocídio racial; diante do silêncio de parte do movimento social, incluindo de negros e negras que está atrelado aos governo federal e locais que pautam os movimentos sociais com seus garotos de recado constrangidos fazendo seu trabalho em ano eleitoral, ao mesmo tempo em que os governos matam e humilham a população negra, elaborando e apresentando programas ineficazes e sem dotação orçamentaria e mandam seus mediadores e porta-vozes acalmar as vozes das ruas. Assim, diante do exposto, a Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, em diálogo com irmãos e irmãs em todo território nacional, em diálogo com irmãos e irmãs da Europa e Estados Unidos, da Colômbia e Barcelona, convoca, convida, conclama as organizações negras em particular e as organizações do movimento social, de um modo geral, a tomarem sua voz de volta e REAGIREM. Façamos a II Marcha Contra o Genocídio do Povo Negro tomando nossa voz de volta, dando um salto de unidade e autonomia, de solidariedade e luta contra o racismo e pela vida.

Esse texto é uma orientação geral quanto aos princípio que animam quem almeja, de verdade, construir essa II Marcha Nacional Contra o genocídio do Povo Negro.

Chamamos todas e todos para essa II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro de forma autônoma, independente e revolucionaria. Eis nossos princípios inegociáveis:

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro tem como tema: A luta Transnacional Contra o Racismo, a Diáspora Negra Contra o Genocídio. 

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro reconhece e respeita a autonomia histórica das mulheres negras que tem reagido e resistido a opressão dirigida as nossas comunidades e criado instituições poderosas de luta, solidariedade e humanidade do povo negro em todas os continentes, as mulheres negras são a linha de frente dessa Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro, as coordenadoras e impulsionadoras de nossa ação nas ruas do país;

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro é uma ação política independente e centrada na luta contra o racismo e o genocídio, na qual os negros e negras terão sua vozes para falarem de si próprios, sem mediadores ou acadêmicos bem intencionados para serem porta vozes de nossa luta;

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro deve ser organizada nas bases, nas comunidades, nas favelas e prisões, nos quilombos e aldeias, nas fábricas e nas ruas , nos terreiros de candomblé, nas casas de batuque, de xangôs, de tambor de mina, nas posses e quebradas e devem ter essas coletividades como sujeitos e não como objeto de estudo ou barganha em articulações politicas; 

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro repudia o uso eleitoreiro de nossa desgraça seja por qualquer partido ou grupo politico-eleitoral, pois nossas demandas não cabem nas urnas ou em projetos alheios a autonomia preta, pan-africanista e favelada;

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro usará as cores do Panafricanismo e terá caráter internacional na luta negra;
• Fora desses princípios qualquer iniciativa não poderá ser apresentada como II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro sob pena de desafiar nosso repúdio Nacional e Internacional; 

• A II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro não terá qualquer vínculo partidário ou eleitoral, e quem assim o fizer estará fazendo outra coisa não a II Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro

Contra o Genocídio do Povo Negro, Nenhum Passo Atrás

Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto.

Fonte: http://reajanasruas.blogspot.com.br/2014/05/ii-marcha-nacional-contra-o-genocidio.html