Produto químico da Monsanto pode ser a causa da Microcefalia dos bebês

16-02-2016 08:50

E se Zika epidemia não fosse o culpado certo? Pesquisadores da Argentina descobrem que um pesticida injectado na água e produzido por uma subsidiária da Monsanto, pode ser a causa de microcefalia. Os laboratórios terão 18 meses para retirar o produto do mercado, embora seja injetado na água em algumas regiões do Nordeste.

Eric Serres/Reuters-L´Humanité/

Um grupo de pesquisadores argentinos e brasileiros, coordenado pelo Dr. Avila Vazquez, um pediatra especializado em neonatologia (especialidade médica que se concentra em recém-nascidos de apoio)  levantou esta questão. Em um estudo publicado em 3 de fevereiro, eles, de fato, questionam a responsabilidade exclusiva do vírus Zika no aumento exponencial de microcefalia registrada entre os recém-nascidos nos últimos meses. Segundo eles, os casos de defeitos de nascimento são devidos, não o famoso mosquito, mas o uso de um pesticida: o Pyriproxyfen, produzido pela Sumitomo Chemical, uma subsidiária japonesa da multinacional Monsanto dos EUA. Este pesticida usado particularmente no Brasil, e injetado na rede de água potável em algumas regiões, é usado para combater a proliferação do mosquito tigre, vetor da dengue

Um futuro escândalo sanitário e financeiro

Iniciado a partir de uma premissa simples, os pesquisadores se perguntaram por que Zika (vírus identificado em 1950 em Uganda), uma doença relativamente leve, não causou todas as malformações em recém-nascidos. E comparando com a Colômbia, onde zika ocorre igualmente, mas o produto químico não é utilizado, nenhum caso de microcefalia foi registrado até esta data. Ainda mais surpreendente, eles apontam que, em algumas áreas, em 75% da população os testes foram positivos para Zika, nunca houve quaisquer malformações em recém-nascidos, como observadas no Brasil: "As más formações detectados em milhares de crianças nascidos de mulheres grávidas em regiões onde nos estados brasileiros foi introduzido Pyriproxyfen não são uma coincidência, mesmo que o Ministério da Saúde incrimina directamente o vírus Zika ", declararam os pesquisadores que esta é a origem de um futuro escândalo saitário e financeiro.

A solução não podem ser encontradas em águas estagnadas, mas nas águas potáveis das regiões infectadas e, em especial, as do Nordeste brasileiro, que com 1447 notificações de microcefalia, é o epicentro do fenômeno. Por mais de 18 meses, as autoridades brasileiras, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), injetaram no sistema de água este inseticida. Uma solução menos dispensiosa  para lutar contra o vírus nesta região que é uma das mais pobres no Brasil, onde "70% das mães de crianças com a doença vivem em situação de extrema pobreza", segundo o Diario de Pernambuco (Nordeste diariamente). Crise decididamente mal sabe a gigante, a coloca novamente na lista negativa. Crise mal sabem as empresas farmacêuticas, que terão dezoito meses para encontrar a solução e remover o produto do mercado.  "Quinze laboratórios e agências nacionais de investigação estão na corrida", disse o director-adjunto OMS, Dr. Marie-Paule Kieny. No lote, duas vacinas parecem mais promissor: um desenvolvido pelo Instituto Nacional de Saúde americano - instituição do Governo - e outra pelo laboratório indiano Bharat Biotech. Mas os Estados Unidos poderá em breve ter uma vantagem, é só Barack Obama pedir ao Congresso dos EUA para 1,8 mil milhões de dólares (1,6 milhões de euros) para combater Zika?

O Brasil é o primeiro da fila, mas a epidemia está se espalhando.

 O Brasil é hoje o país mais afetado pelo vírus Zika. Cerca de um milhão e meio de pessoas foram infectadas desde 2015. Atrás dele é só a Colômbia. Até 2014, o vírus não foi identificado no continente americano. Sabe-se,que já é conhecido  desde os anos 1950 na África.